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Blog do Geraldo Teruya
 


Viajar é preciso

Desde sempre, desde que o mundo existe, ou no dizer de alguns historiadores, desde que o homem se fez homem, é que ele pratica o incrível e fascinante hábito de viajar e de encarar o desconhecido. Aliás, foi esse impulso, o espírito aventureiro que teria, em parte, estimulado o homem primitivo em tempos quase imemoriais, a empinar o peito e abandonar a pacata e tranquila vida das savanas africanas - tranquila, porém monótona e entediante - e rumasse em direção ao desconhecido continente asiático. E, ao viajar, abandonava parte de suas crenças e tradições, adquiria novas e conflitava-se com a identidade original.   Como  se vê, expandir horizontes  é quase instintivo no ser humano.  A questão talvez seja, a de como fazê-lo. O homem primitivo expandia-se para atender aos seus próprios impulsos e desejos.

A busca do desconhecido continuou a fazer parte pa vida e da história de muitos povos, buscando inclusive uma justifictiva espiritual. Na mitologia grega, Jasão, chefe dos argonautas navegava pelo mar mediterrâneo, navegava, navegava....em busca de felicidade para o seu povo. Os antigos hebreus saíram da região do golfo pérsico e foram em busca de Canaã, da terra prometida, da felicidade, mas ali chegando promoveram uma história de conflitos, formando um caldo culltural, histórico e religioso, extremamente instigante, se ficarmos apenas no âmbito da aventura humana. A epopéia judaica foi inspiradora da façanha dos puritanos ingleses que fugiam das perseguições em seu país. Os peregrinos do Mayflower desafiaram a perigosa travessia do Atlântico, com o intuito de construir uma nova pátria,  que seriam os Estados Unidos da América.  Os povos germânicos, rotulados de bárbaros, migravam pelo velho mundo, num movimento impressionante que só se acalmou muitos séculos depois. Os índios da América foram surpreendidos pela chegadas dos brancos. Diante da agressão e da fatalidade histórica de que foram vítimas, encontraram na religião, uma justificativa para a  sua tragédia. Em meio à tragédia, o que tivemos foi uma incrível variedade de culturas, formando um mosaico extremamente rico e complexo. Assim, o homem com suas constantes migrações, altera, incorpora, adapta e marcha. Para onde? Pouca importa. Como diz um ditado chinês: o objetivo da viagem é  a própria viagem, não importa o destino. Foi esse sentimento que certamente envolveu os aventureiros e descobridores da época das grandes navegaçõs. Afinal, o que teria, além das riquezas materiais, motivado Marco Polo a ir tão longe em plena Idade Média?  Fernando de Magalhães  a dar a volta em torno do mundo no século 16.  Ou mesmo Cristóvão Colombo e tantos outros a desafiar  o "mar tenebroso". Os gregos antigos  já haviam  sido alertados dos perigos do mar, através de Poseidon, o deus do mar.  O homem desafiando o mar.  Era o atestado de sua grandiosidade, como cantava Camões em seus versos. O limite seria morrer por naufrágio pelos riscos das tempestades, mas morte mais nobre não há. "Navegar é preciso, viver...." Que seria do mundo ou o que seria da vida de fôssemos guiados pela mesquinhez dos acomodados que se escravizam pelas futilidades do dia-a-dia ?

Foi com essa arrebatadora atitude de romper limites, que os homens medievais saíam da monotonia da vida no campo. O encontro com Deus era a justificativa, mas a busca da perfeição, retratada na lenda do Santo Gral parecia, ao mesmo tempo, desafiar  o criador. Os árabes , em nome de Alá, irradiaram-se pelo mundo, desafiaram outros deuses, guerrearam, destruíram, porém, construíram uma brilhante civilização. ´Destruir é construir´ diria o anarquista russo Mikhail Bakunin. E os árabes foram para muitos lugares. Imagina o que aprontaram!  Eles certamente tem muito a ver com certos hábitos diários que temos, como chupar uma laranja ou emitir um cheque. Foram eles que ´globalizaram´a cultura do mundo. Issa pode ser atestado ainda hoje em várias cidades da Espanha, como Córdoba, Toledo, Granada. Toledo é uma espécie de microcosmo da cultura mundial, unindo 3 heranças, a judaica, a cristã e a muçulmana.  Em Granada, uma cidade medieval, Alhambra,  construída pelos mouros, é a mais perffeita expressão da cultura árabe.  Em Córdoba, há um monumento em homenagem ao filósofo Averroes que viveu no século 12, a quem se atribui a preservação de grande parte da obra do filósofo grego Aristóteles. Os árabes trouxeram as ricas invenções das culturas milenares da China e da Índia que seriam incorporadas ao ocidente pelo Renascimento.  E tudo isso promovido na prática, por suas viagens transcontinentais. Foi com esse ímpeto que o homem iria à lua e à corrida espacial,  contribuindo para que cientistas e pensadores como Galileu, Kepler, Newton e Einstein  elaborassem suas teorias.

No final do século 19, o desejo de expansão pelos capitalistas em busca de mercados, ultrapassou os limites da cultura material e passou a se ocupar também do inconsciente do homem: os sonhos foram transformados em mercadorias. Surgia assim. a indústria do turismo. A venda de pacotes de viagens e de aventuras passaram a fazer parte da vida moderna. A busca do desconhecido e da realização de sonhos mirabolantes, tornaram o ato de viajar, uma importante ´válvula´ para escapar da rotina e monotonia tediosa, sobretudo dos habitantes das grandes metrópoles, enclausurados em suas "selvas de pedras". O turismo virou um grande negócio e assumiu o papel de direcionar e domesticar as aventuras e as viagens.

Hoje em dia, a viagem já foi mapeada e esquadrinhada. Para muitos acomodados internautas, nem é preciso sair do lugar para viajar. Muitos incoporaram a cômoda e passiva idéia de que, a máquina é capaz de tudo. Num certo sentido sim. ´Hoje mundo é pequeno, do tamanho de uma antena parabólica´ cantava Gilberto Gil nos anos 90. Hoje, o planeta cabe num aparelhinho celular. A máquina é capaz de - tecnicamente falando- fazer o que romanos , gregos e árabes fizeram com pernas e cavalos. Mas é exatamente o suor das pernas, o movimento dos cavalos, a estranheza e curiosidade diante do outro, o fascínio que só a experiência humana é capaz de construir, o sentimento de realização e grandiosidade que corre nas veias; em suma, só o sentimento e a razão humana são capazes de dar um significado existencial profundo aos encontros e desencontros da extraordinária aventura humana.  E o ato de viajar poderia, não ser apenas, mais uma "válvula de escape" e sim,  viajar pelo simples prazer de viajar,  pelo mero prazer da contemplação e do deleite.  Nossa ambição poderia ser  o de transpor para nossa vida diária, uma parte desse ideal de vida, o de  viver,  pelo prazer da existência.   "Deixar-se viver" , de forma livre, espontânea e descompromissada. Afinal, o tempo não deve ser visto como um momento fugaz e sim como duração do efetivamente vivido.   Viajar é preciso, viver...também.



Escrito por Geraldo Teruya às 21h08
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O papel do cinema

Já faz um bom tempo que o cinema ocupa um lugar privilegiado no nosso cotidiano. A chamada sétima arte inseriu-se de forma definitiva, desde que os irmãos Lumiere fizeram o primeiro filme em 1895, em plena Belle Époque. A telona apresentou-se em meio a uma sociedade de massas a pleno vapor.   A cidade de Londres já tinha mais de 4 milhões de habitantes e Paris com mais de 2.6 milhões.  Eram os novos tempos. Os donos do poder identificavam os trabalhadores que circulavam pelas ruas e avenidas das grandes cidades como ´massas perigosas´ numa clara alusão aos perigos que os protestos operários poderiam ocasionar ao poder político e econômico. Foi por esta razão que as autoridades impuseram novas formas de controle social, definidos por Michel Foucault como o biopoder: eram mecanismos criados com o objetivo de controlar as massas populares. Nesse contexto, ganhava corpo, a cultura do entretenimento e a indústria cultural, e com elas, o cinema.

No começo do século 20, o cinema ainda era uma novidade para a grande maioria da população, mas pelo impacto que teve, acabou atraindo verdadeiras multidões para as salas de projeção.  Muita gente cresceu em torno do cinema.  Foi uma das principais  referências para o crescimento intelectual e mesmo do passa tempo que construia dia a dia, a cultura do entretenimento.  O cinema adquiriu uma enorme importância na sociedade de massas, como manifestação artística, como instrumento de manipulação política ou mesmo de construção ideológica, basta vermos o papel do cinema como legitimadora do imperialismo americano, os filmes alemães no período nazista, o cinema no tempos da guerra fria.  Muitos filmes assumiram o papel de crítica social,  de  denúncia contra regimes ditadoriais pelo mundo ou de servir como questionamento sobre a existência humana.   A telona foi também,  capaz de trazer para o delírio do público, o fantástico e o maravilhoso através de criações como o super homem, os filmes de ficção, o homem aranha e tantos outros. 

Quando o cinema apareceu,  encontrou um terreno preparado pelo teatro que se ocupara de representar a realidade. Norbert Elias em seu clássico "Processo civilizador" defendeu a tese, muito consistente de que a civilização se construiu num processo de controle das emoções e dos instintos. O que não poderíamos fazer na vida real, mas que fazem parte dos nossos instintos naturais, veríamos na tela do cinema e nos sentiríamos representados.     É esse o papel que o cinema preencheu na sociedade contemporânea: o de apaziguar nossos instintos, dar vazão ao nosso intelecto e fazer uma representação de nossas vidas. Daí todo o sucesso dos filmes de aventura, dos romances impossíveis, das cenas carregadas de erotismo capazes de arrebatar os desejos sexuais da platéia e excitá-la na intimidade da sua vida privada. O cinema é capaz de agitar as massas, mas também de fazer o caminho do público para o privado e contemplar nossos instintos reprimidos pelas regras sociais da vida civilizada.  Ao mesmo tempo em que excita, o cinema é capaz de anesteziar nosssos desejos. Como afirmou Guy Débord,  "na sociedade do espetáculo, tudo que era vivido, tornou-se uma representação". Assim, o cinema devolve à sociedade sob a forma de representação, seus desejos, conflitos e interesses e nesse movimento, impõe modelos, estilos de vida, absorve protestos e imprime a velocidade com se dá a volatilidade das mercadorias fazendo girar a "roda da fortuna".   A própria indústria do cinema tornou-se uma produção em série, o que naturalmente compromete e muito, a sua qualidade.  Mas ainda existem bons filmes.   A busca pela nossa autonomia intelectual e pela postura crítica requerem um certo esforço, o de não nos deixarmos anesteziar pela indústria cultural.



Escrito por Geraldo Teruya às 20h44
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Por trás do muro

O que hoje tem sido apresentado como apenas mais um episódio da sociedade do espetáculo foi na realidade, um acontecimento complexo.       A comemoração pelos 20 anos da queda do muro atraiu as atenções da mídia, mas pouca gente se dá conta do que esteve por trás do muro.    Ele foi contruído em 1961. No mesmo ano em que, no Brasil o vice João Goulart, acusado de comunista quase foi impedido de tomar posse por setores golpistas, os mesmos que 3 anos depois implantariam a ditadura militar. Foi também o ano em que Nikita Kruschev, líder soviético ordenou a instalação de mísseis em Cuba. A guerra fria quase pegou fogo. O mesmo Kruschev que 6 anos antes (1956) reprimiu violentamente a revolução húngara que visava tornar o comunismo mais autêntico. Os EUA que condenavam as ditaduras comunistas, patrocinavam ditaduras militares pelo mundo. A URSS em nome do Comunismo reprimia movimentos revolucionários comunistas que fugissem ao seu controle.  

1961 foi o segundo ano da guerra do Vietnã, na qual a intervenção militar estadunidense, em nome da democracia e da cultura ocidental dominante provocaria  protestos veementes nos anos 60. As atrocidades cometidas pelos soldados americanos despertaram a revolta corajosa dos jovens que lançaram então, o movimento da contracultura: amor livre, os Beatles, as passeatas estudantis e o movimento hippie.     Era uma revolução comportamental, que protestava contra qualquer tipo de ditadura. "É proibido proibir !"  No chamado Maio francês, estudantes e trabalhadores aliaram-se para protestar contra a ditadura do general De Gaulle.   Naquele mesmo ano, a ditadura no Brasil chegou ao cúmulo de abolir o Habeas corpus ao decretar o AI-5.    68 foi o ano em que tropas soviéticas invadiram Praga para debelar a "Primavera de Praga" um movimento para democratizar o Comunismo na antiga Tchecoslováquia.  Fotos memoráveis mostram populares tentando convencer os soldados brucutus a deixarem o país. Eram tempos difíceis, mas cheio de esperanças e de paixão pela utopia. O muro de Berlim sintetizava em parte,  toda aquela teia de complexas relações. A divisão do mundo em dois polos de decisão mundial, limitava as as manifestações, mas ao mesmo tempo as provocava. E a alemanha estava ali, no coração da Europa, dividida. O muro remete à segunda guerra.

Durante a segunda guerra, a União Soviética resistiu e derrotou bravamente a máquina de guerra alemã que atravessou as fronteiras como um rolo compressor, um arrastão  nazista em que soldados enlouquecidos assassinavam barbaramente civis e militares, mulheres, crianças e velhos, em nome de uma suposta raça superior, com um argumento pseudo-científico com base na eugenia, que havia surgido no contexto do cienticismo so século 19. A ideologia nazista manchara de sangue a modernidade cientificista que tivera tão ardorosos defensores.    A segunda guerra havia sido uma guerra total, tecnológica e de massas.   Nela, a luta foi travada contra o inimigo comum: o projeto nazista de conquista do mundo. O inimigo comum foi capaz de unir adversários mortais.   A guerra fria seria postergada.   O nazismo apresentara-se com uma inovação radical: um movimento de extrema direita, ancorado na adesão das massas e numa ideologia racista e agressiva.  Eis a sua força. O perigo morava em todos os lados.  As imagens do final da guerra são aterradoras: campos de concentração, bombas atômicas e tudo de pior que o ser humano foi e é capaz de fazer. Era a banalização do mal. As atenções da população voltavam-se para  a necessidade de reconstrução e o clamor por dias mellhores. Entre as duas superpotências, a luta pelo poder político e ideológico e o perigo de um conflito nuclear . De um lado, as democracias liberais e de outro, a absorção das utopias pelo poder do Estado-partido Comunista soviético.  

É imprescindível lembrar, que o Comunismo representava para muitos uma ideologia libertadora que tinha sido produto de  muitos anos de lutas contra a exploração capitalista e contra a coisificação humana. Um projeto por uma sociedade sem opressores e oprimidos.. Mas tal ideologia foi usurpada pelo monopólio do poder pelo partido e pelo Estado Totalitário Leninista e depois Stalinista Sovieético que tornou refén, todos os países do Bloco Socialista, num claro desvio da utopia igualitária preconizada lá atrás (século 19) por Marx e Engels, além de sufocar movimentos revolucionários alternativos.   Apesar da inaceitável limitação das liberdades políticas, o chamado Socialismo Real garantia as necessidades e demandas sociais básicas (saúde, educação, acesso à cultura), ainda hoje lembradas com certa nostalgia pela população da antiga Alemanha Oriental.   Mas como se esquecer das atrocidade perpetradas por Stalin nos processos de Moscou, da eliminação sumária de milhões de camponeses no processo de coletivização forçada da agricultura e a cueldade dos campos de concentração (gulags). Como alguém em sã consciência, poderia defender o massacre imposto por Mao Tse Tung na Revolução Cultural chinesa. E o que dizer dos milhares de dissidentes, fugitivos da Europa do leste? 

Gradativamente o bloco comunista, aparentemente inespugnável foi apresentando rachaduras por crescentes protestos e questionamentos. No final dos anos 70, o sindicato Solidariedade na Polônia ganhou notável destaque na mídia ocidental por comandar greves sucessivas contra a ditadura comunista. Em meados da década de 8o, no centro do poder, Mikhail Gorbacthev anunciava a Glasnost e a Perestroika. O regime soviético estava desmoronando e por incrível que pudesse parecer, o tão odioso regime stalinista desmoronava, no leste europeu, país por país. A desagregação do imperio soviético se completaria entre os anos de 1989 e 1991.  A queda do comunismo significou o fim do socialismo planificado e  dos regimes totalitários.   O fato agravou a crise no pensamente de esquerda e desencorajou grande parte de seus militantes a continuarem lutando pelo socialismo, a ponto de muitos aderirem ao neoliberalismo.  Em novembro de 1989, o muro de Berlim caiu. Sua queda foi delirantemente festejada pela maioria que se livraram da tirania stalinista.   Para os capitalistas,  seria a chance de expandir seus negócios, pois  os antigos países socialistas adotaram a economia de mercado.    Contudo, no meio da euforia, algumas vozes se levantaram. Uma delas , a do sociólogo alemão Robert Kurtz alertou para o fato de que , o fim do comunismo era um sintoma de uma crise geral do Capitalismo. As crises posteriores, a gangorra dos mercados financeiros e a atual crise mundial parecem lhe dar razão.

Com o fim da guerra fria, veio a nova ordem mundial e com ela, a globalização e o triunfo do Neoliberalismo.   Restou um vazio político que foi logo ocupado pela ascensão do perigoso fundamentalismo islâmico.  Num mundo sem grandes utopias, alguns movimentos como a defesa da ecologia, a mobilização pelos direitos civis conquistaram algum espaço político. Reformadores sociais foram eleitos em alguns países, porém sem grandes rupturas estruturais.

 O muro de Berlim foi derrubado, mas outros permanecem intactos: o da exclusão social, do desemprego estrutural e o da crescente precarização do trabalho, agravadas com a atual crise econômica mundial.   Na crise, o neoliberalismo parece ter se esgotado, o Estado ganha vida nova e nesse novo contexto, outras alternativas poderão ser colocadas na ordem do dia.   É um momento fértil para se pensar em alternativas.



Escrito por Geraldo Teruya às 17h37
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O Caso Uniban

Numa sociedade e cultura de massas como  a nossa, qualquer acontecimento que extrapole a rotina pode ganhar proporções assustadoras. Este parece ter sido o caso da estudante Geyse Arruda que, passou de vítima a ré.  Vítima porque, a moça quase foi agredida e violentada por uma turba de vândalos, imbecis ou recalcados reprimidos, ou tudo isso juntos. E qual o delito que ela teria cometido? O de ter rebolado? Ou de ter insinuado para eles? E que crime há nisso? E o bando de marmanjos que , diariamente, assediam sexualmente secretárias, colegas de trabalho ou de escola?   O caso foi, sem dúvida, uma clara demostração de machismo, resquício de um patriarcalismo que marcou nossa história, desde a colônia.

Mas o caso está tendo seu lado interessante. Organizações da sociedade civil se manifestaram. A UNE denunciou o autoritarismo da direção da Universidade. O movimento feminista  atacou o machismo dos alunos envolvidos e da direção. Jornalistas, professores, deputados, psicólogos, estudantes pelo país manifestaram sua indignação pelo que ocorreu.

O que me despertou atenção foi o comportamento dos estudantes, o que revela a complexidade das relações amorosas e sexuais, nestes tempos de "amor líquido".  Na cultura jovem de hoje, o importante é ´ficar´, a ´fila tem que andar´, mas diante de situações como essas revelam preconceito e inveja. Quando valores mais profundos estão em jogo, cadê a leveza ? O artificialismo que permeia as relações amorosas é perigoso, pois esconde sentimentos verdadeiros e quando eles se manifestam, podem explodir sob formas distorcidas e agressivas. Isso é o que acontece todo dia pelo país. O recalque reprimido, agravado pela inveja quase resultou numa tragédia. A estudande Geyse Arruda, simboliza milhões de mulheres que são vítimas de preconceito e discriminação moral, sexual e profissional.

E o que dizer da postura da direção da Uniban?  Foi uma atitude autoritária, moralista e despreparada. Mas o que mais chamou atenção,  foi o recuo. Diante da repercussão negativa, voltou atrás. É nisso que entra a ditadura do mundo corporativo que vê a escola, não como uma instituição  que educa e sim como empresa que reduz tudo à relação custo-benefício, na qual, imagem é tudo. Não encara a escola como uma instituição que estimule a reflexão, a tolerância e o debate e sim algo que visa somente lucro. Que pobreza!

A agressão contra a estudante Geyse Arruda foi sim, um atentado contra a mulher! E o que é pior, revela valores que são ainda muito fortes na sociedade.



Escrito por Geraldo Teruya às 21h46
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